terça-feira, 23 de março de 2010

AMARELINHA ROXA

Matei-me quando percebi
que nada disto faz menor sentido.

Problema maior
é quando minha própria morte
impede-me de dormir (n)a vida.

Quintana, aquele guri arteiro,
constatou ser o tempo,
da eternidade, a insônia...

Nietzsche, vê, meu querido?!
O tempo também está morto!

terça-feira, 16 de março de 2010

SOBRE DIREÇÕES

Quando alguém se apaixona por nossos erros, tem mesmo esta vantagem: pelo menos a gente sabe que o abismo fica logo aqui. Então podemos, acompanhados, vir direto.

O problema é quando vem um cidadão se apaixonar pelos meus acertos vacilantes - fico tão mas tão perdida sempre... porque esse caminho eu nunca sei onde pode dar. E quem vai querer definitivamente acompanhar alguém que não sabe aonde está indo, alguém que não sabe, sequer, se quer chegar?


terça-feira, 9 de março de 2010

SOBRE (NÃO) CONFIAR

- Você não confia em mim? Por que, então, nunca fala?
- Por que é tão difícil aceitar meu silêncio? Você não confia em mim ou em si mesmo?

quarta-feira, 3 de março de 2010

AGNÓSTICA

eu bem que tento
(des)acreditar
deus

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ESPERANÇA

terá
amanhã
terá passado
amanhã
terá presente

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

SOB(RE) ALTURAS

Depois que se descobre a preciosa aventura da escalada, a vida dispensa eleva-dores.

O degrau mais difícil de se subir é o primeiro. Talvez por isso mesmo ele seja galgado quase sempre tardiamente - depois de uns pulos ali e outros tombos aqui.

Um dia desses a gente consegue encarar o fato de que ascender não necessariamente nos distancia do chão; a gente aprende a encarar o próprio chão - e, com sorte, a força dos nossos próprios pés.

Com insistência, um dia desses a gente finalmente começa do início e, quem sabe, se surpreende escala-dor.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CONTRATEMPO

Não se sinta sempre tão errada, imperfeita, pequena. É só com paciência e prática que se aprende a fluir dançante, a largos passos, sem pesar tanto a si mesma em meias-pontas. E nem ouse sair correndo antes de aprender direito a próxima condução, porque vou lhe segurar e repetir até que você acredite... calma, mulher! Há, entre nós, tempo e beleza bastantes; o nosso amor não está sob a condição de ser sempre perfeito e,  mesmo assim, de vez em quando, tudo vai ficar bem.

Não falemos agora de notícias, filmes, livros e músicas, se o que nos queima as papilas é eu-em-você-em-mim. Sem exaspero... não tente entender nem questionar tanto, alternando esse olhar intenso entre tantos extremos vacilantes - sinta, simplesmente... meu olhar, embora duro, não é fugaz nem farpado, então você pode pousar nele o seu, com inteireza e coragem,  sem ponderar estar sempre aquém ou além. Esteja. Vem! Dance comigo e, enquanto a música tocar, vamos explorar juntos e, sem vertigem, girar sobre o centro de nós dois.