sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AMPULHETA

tempo
passa
tanto sim
transa(cidenta)
e quando pára
é não.

vira.



Vide: Nos fios tem sos


"O início é a rotina do final".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SOBRE COMO E POR QUE ESCREVO

Escrevo quando a solidão dói mais do que o medo de compartilhar. Para desabafar. Porque preciso, freqüentemente, me convencer de mim mesma. Organizar, cercear meu próprio caos. Escrevo o que o desejo berra e o que a resignação cala. Falo do que, embora queira, muitas vezes não digo e nem ouço. Visto-me mais de mulher, nas palavras, porque meu gênero, antes, veste-me melhor. Sou o que crio, mas nem sempre crio o que sou - com a perene consciência de ser sempre mais. E você, quando, verdadeiramente, lê-me, recria-se, compactua comigo na busca do inconcebível - a tradução da existência, que nunca e sempre é. Penso, então, que escrevo no intuito de existir, descansando-me, tangivelmente, de ser.

sábado, 14 de novembro de 2009

POR AQUI

Eu não quero machucar você. E se, às vezes, parece que vou fugir, é porque não sei bem o que fazer com tudo o que você me presenteia, não sei bem o que fazer com tudo o que você é. Há dias em que ficar acordado me exaure até a última sinapse e é por isso que desapareço, recolho-me, desintegro. Quero estar inteiro para você, tão inteiro quanto você se dispõe a mim. Não sei o que fazer, mas aceito, admiro, desejo - tudo o que você é. Porque quem você é mostra a mim mesmo quem sou. Não nego que isso me assusta – não é fácil perceber-me alvo de tamanha confiança, toda vez que você se despe. Mas pode chorar, não reprima as lágrimas, não. Se o seu sorriso é barro em que me sujo de tanto brincar, na sua lágrima eu me lavo. Quem sabe eu aprenda também a me despir e a fazer da sua inteireza ombro, abraço e ritmo – a sujá-la e lavar, tão intensamente quanto você me faz. Então não precisa ter medo, amor, estou aqui.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

DO DESENCONTRO

A solidão esteve no desejo amante solar, pela lua, bem como no carinho amistoso lunar, pelo sol.

A dignidade das mais cruéis solidões está no fato de que, genuinamente resignadas, elas se deixam, uma à outra, em paz.

Há casos em que uma ausência é a melhor parceira.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

PORQUE NUNCA SE SABE (para Manoel Almeida)

A respeito dos erros, assim como as mentiras, eles também acontecem pelo contraste silêncio-linguagem. Mas só o próprio contraste nos permite assumir e/ou delegar culpas, bem como elaborar dúvidas. E é bem aqui, quando ele nos absolve, que linguagem e silêncio subvertem liberdade e condenação: porque, livre, estou condenada a simplesmente ser - e disso, o que fazer?

sábado, 31 de outubro de 2009

POR QUE NUNCA SE SABE

O silêncio e a linguagem, juntos, são os culpados por todas as mentiras do mundo. Se não fossem tão cúmplices, saberíamos a(s) verdade(s). Só porque assim coexistem, tudo são dúvidas.

Será?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

SOBRE O NOVO VISUAL DA MENINA

Então não fique brava, mãe, porque cortar tanto o cabelo foi o jeito menos agressivo que ela encontrou de tentar, por algumas noites, dormir em paz.

sábado, 24 de outubro de 2009

GAROTA DA PRAIA (para Laura Prandi)

Ousada, precoce, firme e sempre alta, imponente, cheia de consciente compostura, a despeito dos saltos altos e dos altos saltos. Naquela metrópole a menina virou mulher. E a mulher corre, se exaure, ama, odeia, carrega em si suas mil faces - todas autênticas, bela e cuidadosamente maquiadas. E atrai desejos e desdém. Olhares. Dela o mundo, ela do mundo.

Mas agora, o litoral que a aguarde. A cem por hora, ela vai mergulhar. Contra o vento, em vôo livre, a garganta secando trilhas sonoras de expectativa. A cem por hora, sem sequer imaginar que a praia foi sempre sua. E vai fundo, vai forte, sem medo. Porque ela é o próprio mar. Ela é o próprio lar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SOBRE DIFERENÇAS

Ele se esforça, estuda, lê, calcula, se informa, angustia, produz, se eleva; é admirado, condecorado, aplaudido, retrucado, vez ou outra rejeitado ou reconhecido; e acha que pensar o mundo pautado em grandes nomes - da ciência, da literatura, da música, do cinema - o libertam minimamente da mediocridade, do controle externo, da submissão ao poder, do automatismo.

Ela dança o que tocar na festa e ouve em casa a trilha sonora da novela das oito; aos domingos assiste e se diverte com qualquer coisa transmitida pela TV comum; suas grandes aspirações são um bom salário, boa aparência, bom marido e bons filhos; não se importa muito com cinema; livros, então, não leu mais de cinco; se tem dor, vai ao médico e, se sofre, à igreja; não aborda política, convenções ou ciência; prefere, antes, conversas de salões de beleza e de banheiros femininos.

A despeito de tantos contrastes, ambos estão exaustos e oncológicos, ponderando se têm valido a pena. Cá, entre todos nós, a "grande" diferença são os ídolos.

Somos um bando de Hitlers, disfarçados de Ches.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SOB LENTES

"Vi flores nascerem em lugares pedregosos
E coisas gentis feitas por pessoas de má aparência,
E a taça de ouro ganha pelo pior cavalo nas corridas,
E, assim sendo, eu também confio." (John Masefield)


Dei mais atenção às ervas daninhas que enfeiaram grandes jardins,
Às coisas pérfidas feitas por gente que sedutoramente sorria
E aos bons cavalos que nunca ousaram sequer competir.
Por isso, talvez, eu ainda prefira desconfiar.



Vide Epitaphius.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PERGUNTO-TE-ME (poema em construção)

será que um dia vou admitir e amar a imperfeição, ao invês de,
com o gado, criar metas de humanidade inatingíveis?

até quando assumir e legitimar os padrões
fracassados que alguma frustração coletiva criou?

alguém realmente se importa se o outro chora ou seca,
quando ele continua cumprindo bem suas obrigações?

ser feliz é, mesmo, tão bom assim, ainda que
eu não saiba, definitivamente, como lidar com isso?

quem vai me absolver, se eu disser que sinto medo,
preguiça e o contrário, bem contrário, de ambição?

quantas vezes, hoje, eu sorri e me vangloriei
pra que ninguém percebesse a estranheza de mim em mim?

qual é a solução,
quando um abraço sincero não resolve?

qual o limiar da exaustão, pra que,
eu decida, enfim, entre insistir e desistir?

quantas crises mais até a corajosa resolução?
aliás, pra quê ansiar por resolução?

e, afinal, por que tanta busca por respostas,
se tudo o que eu quero é não me importar com as perguntas?

tem de ser sempre assim,
tão difícil, simplesmente viver?



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DE PRESENTE, LAMPIÃO

coração este que é feito
dos amores cumulativos
que se alternam, a(s)cendem
e se apagam, inevitavelmente

ele pulsa, dança, sangra e se alimenta
de cada amor que já brilhou
e celebra, rumina, agradece
passados, ausentes

porque em tanta escuridão
reluziu, fez-se presente
este amor de agora fogo
este chão de agora doce

esta vida agora sóbria
este bicho afinal pleno
este som em cores mil
esta paz agora sã

são todos meus; são todos seus; são todos eu.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

SIM

Quero o cheiro do seu corpo no meu corpo
e as batidas do seu coração
ritmando os meus compassos.

Quero minha mão segurando a sua mão
e, ávidas, nossas quatro mãos
nos zíperes destas roupas cáusticas.

Quero aqui a sua voz lendo meus mil pensamentos
e o brilho dos seus olhos preenchendo todo o dia,
pincelando meus espelhos.

Quero em meus ouvidos sua boca, sussurrando a tabuada
que elaboram nossas línguas
nesta álgebra de poros.

Quero, em todos os sentidos, quero sim,
vem que, enfim, eu quero muito,
inteiro, você em mim.


CANÇÃO

dizer com simplicidade
que você me faz um bem
e faz tudo tão certo
que eu faço mais certo

e por você me permito
privar-me dos meus vícios
da tristeza e produção
que insistem me acolher

e quem sabe aceitar
a idéia tão difícil de que
também eu mereço, posso e,
com você, sou mais feliz

"E agora me conta o que aconteceu, que eu ando encostando os meus sonhos nos seus." (Luiza Possi / Dudu Falcão)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

META-LINGUAGUEM



dizer com a lingua
eu te amo
em versos,
entre catacreses e aliterações,
em gradações de metáfora
buscando sinestesias
paradoxais
disfemistas
hiperbólicas.

quase oxímoro!


Vide: Liviano

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

BILHETE

Ela abre o caderno e espreme a caneta, na esperança de que palavras bonitas escorram para o papel. Palavras claras, que digam a importância de tudo isto - tanta presença e tanto abraço, tanta música e tanto sorriso, tanta filosofia e tanto tesão.

Agita, então, levemente, a caneta, para que, talvez trêmulas, elas também confessem um pouco do medo desta beleza toda. E, por isso mesmo, com a força do pensamento, ela ordena que a tinta continue molhada, até que ele chegue ao último ponto - assim ele saberá que um pouco de paciência mais pequenas doses de sopro quente provavelmente a farão sentir-se pronta.

Dobra com cuidado o papel, porque quer embrulhar e preservar o presente que aquelas linhas guardam. O presente ao presente que ele, subitamente, é.

E é agora, quando ele a lê, que as palavras secam para que ela, finalmente, umedeça.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pessoas,

Muito obrigada pelas visitas e pelos comentários - tanto os deixados aqui no blog quanto os de vocês que comentam comigo pessoalmente, ou pelo orkut, e-mail e msn.
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Cada texto é uma confissão vestida para baile. Mas a confissão deste vem nua e ainda em vertigem, como acordou: a possibilidade de me compartilhar aqui faz-me sentir menos só, menos inescrutável, deixa estes véus, quem sabe, um pouco transparentes.
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Sinto-me muito bem em saber que muitos se identificam com o que expresso aqui; e que mesmo os que discordam se dispõem a pensar junto, questionar, discutir... penso sempre e aprendo sobre cada reflexão proposta por vocês, em qualquer que seja a ocasião.
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Estou em busca das minhas verdades, possíveis de alcance apenas através do confronto, entre perguntas e supostas respostas, sempre nossas.
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Obrigada mesmo.
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Gabi.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DO PÓ AO PÓ

Se me sinto especial? Sinto-me especial no mundo, entre tantos seres humanos, porque gostaria de ser. Assim como o ser humano superestima a própria espécie, eu, tantas, todas vezes humana, superestimo a mim mesma, como indivíduo.
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Não obstante, tenho fé na finitude: a vida é paixão e a morte é amor - paixão como qualquer coisa apinhada de sofrimento e euforia, de desejo e frustração; qualquer coisa em profundo desespero de "ser ou não ser"; qualquer coisa cega e voraz, cheia de fins em si mesma. Amor como um destino, um alvo, inescapável, embora possa, ou não, ser buscado; bálsamo, repleto de ternura e descanso, mas, quem sabe, puro tédio (se for o caso de anular a paixão). Amor e paixão, morte e vida - um só se significa no outro, ainda que em despretensioso vislumbre.
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Amor e morte podem ser encarados como prêmios a merecimentos: aos que se excederam de vida e de paixão, aos que mergulharam na existência sem ponderar asfixia, por privação de ar, ou esmagamento, por inabituável densidade. Apaixonemo-nos!
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No pó de onde vim fez-se o pó que hoje sou. E em mim, bem aqui, está impresso e expresso tanto todo universo. Sou, sim, especial, por esta simples essência, comum a cada outro ponto-pó - plena da pequenez e da grandeza que só pode haver em tudo o que existe. E, tudo, pois, é nada. Eu, no início, no meio e no fim. Paixão e amor, siameses, em mim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SOBRE TATUAGENS

Tatuo rastros em peles, sorrisos e olhares. Meus instrumentos são abraço e presença inesterilizados e compartilháveis. O preço é, ao menos, um rastro seu em mim. Então... arrisquemos?

"A thing of beauty is a joy for ever." (John Keats)

domingo, 6 de setembro de 2009

DE NÃO SE SABER

amei você
e, sobretudo,
amei-me, em você

mas, depois do seu não,
nem eu sei
o que fazer de mim

a grande ironia
é que, mesmo antes,
eu nunca soube

"E eu, que jamais daria, era o verbo dar, dizendo assim 'quem dera!'" (Oswaldo Montenegro)

domingo, 30 de agosto de 2009

SOBRE O ESQUECIMENTO

Terei esquecido quando,
casualmente,
algo, e não tudo,
lembrar-me você.

sábado, 29 de agosto de 2009

ZÍPER

mostrar ao mundo
a intensidade desta emoção
abrir violentamente o peito
e deixar o sangue jorrar
limpar tudo isto
que só cresce
multiplica-se, invade
e transborda e afoga
fere
afasta
enoja
perde-se.

E perde-te.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O SUICÍDIO SENSUAL

Nem altruísta, nem por anomia.

Este suicida, de tão apaixonado pela morte, impaciente, não se conforma em esperar que ela tome iniciativas a respeito do encontro definitivo. Ele pisa o medo da paixão realizada, da intimidade consentida. E, em seu gesto sedutor final, arrisca na busca da liberdade em que só os amantes acreditam.

Ele comtempla extasiado a morte e, irresistível, irresistindo, diz-lhe: já que você não me pega logo, eu mesmo faço você de jeito. Vem! Ou melhor, vou.

Egoísta, sim - que romântico não é?

"Tudo no mundo é perfeito e a morte é amor." (Adélia Prado)

domingo, 23 de agosto de 2009

FREYA

Chame-a pelo nome, que, de amores, bens e anjos seus, as camas estão cheias.  Acalme-se quando, sobre você, ela quiser dançar. Repare. Sinta. Então ela vai chupar, com fome, e ansiar que você a beba.  E que atenda quando ela pedir meta mais forte e mais rápido e coma de quatro, por cima, de lado, por baixo. Ela vai gemer, ruborizar, se contorcer e gozar num olhar, implorando seus espasmos.
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E ainda que, depois, ela prefira abraços a cigarros, não se iluda - ela, definitivamente, dirá adeus.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

SOBRE ELA

A despeito de ser, em profundo desespero, a dona de todas as solidões do mundo, não assumia-se, covarde, dona de si.
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Tudo o que por ela era tocado desejava concisão; sentia-se, embora deliciosamente livre e amparado, invadido com extrema violência e voracidade.
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Mas o cheiro de sexo nos lençóis era incapaz de anestesiá-la daqueles abraços rasos, que se afrouxavam antes mesmo que ela pudesse esquecer o próprio medo. Ainda que ela fervesse, derretendo, se desintegrando, de dentro para fora, as paredes continuavam geladas e inertes.
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E, talvez, porque fosse também toda culpa e ingenuidade, não entendia a dificuldade da própria busca. Apenas sobrevivia implorando, miseravelmente, que a amassem, por favor, mais do que ela era capaz de amar a si mesma.

domingo, 16 de agosto de 2009

SOBRE A MINHA CACHORRINHA

Eu a queria no meu colo, me abraçando, o dia todo, o tempo todo. Queria saber dela o que ela pensa, o que sente quando fixa os olhos em qualquer coisa, quando fixa os olhos em mim; o que ela sonha e por que escolhe determinadas situações. Saber se ela sente mágoa por eu tê-la, de alguma maneira, negligenciado, quando ela chegou. E poder explicar meu medo extremo de perdê-la, porque ela ficou doente; as minhas fraqueza e covardia; o fato de não saber ainda perder quem amo, sem me perder junto. Que eu tentei, sim, não amá-la, mesmo querendo ser capaz. E que, a despeito de tudo isso, hoje não suporto mais imaginar minha vida sem ela, mesmo sabendo que deveria suportar.
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Então sinto-me grata por ela não entender nada disso e até desejo que ela, de fato, não entenda. Seria denso demais pra ela, talvez a sufocaria, aprisionaria. E eu amo a espontaneidade do amorzinho ingênuo, despretencioso e tão lindo, que ela dispõe a mim. Embora às vezes também me pareça que ela se pergunta o que eu penso, o que significa tudo isto, por que algumas coisas não são melhores, por que eu me sinto tão triste, se alguns dias são perfeitos para brincar.
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"Esta sede insaciável de não sei o quê." (Mário Quintana)

SOBRE OS FRACASSADOS, OS MEDÍOCRES E A NÁUSEA

As almas não deveriam ter corpos.
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Para onde olho, em todas as coisas, só vejo limites, ou, no máximo, tentativas humanas desesperadas, compulsivas, esquizofrênicas, de superar, através da matéria, os limites que a própria matéria impõe.
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É através do corpo que somos, todos nós, putas. E filhos das putas.
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Só a alma alcança a transcendência.
O corpo estraga tudo.
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"Até quando o corpo pede um pouco mais de alma, a vida não pára." (Lenine)

SOBRE NÓS

Amor não morre, mas silencia.

JANELAS D'ALMA

O amor muda de rota
porque sente frio e procura abrigo.

Meu olhar olhando o seu
e nossas almas se abraçam.
E é nesse mesmo azul
que meu amor encontra casa.

Busca solitária é cheia de itinerários.
Realização é destino final
prenunciando inícios.

SE FOSSE, NÃO SERIA

sim, eu troco esta mentira de vida
a esburacar minha alma
pra ter, pelo resto dos dias,
as verdades cruéis que me partem ao meio
toda vez que você diz adeus

metades maciças caídas surradas vencidas lavadas
vivas