AGORA É A MINHA VEZ DE DESABAFAR SOBRE POLÍTICA:
Não pretendo aqui defender qualquer partido ou candidato em detrimento de outro, pelo contrário, que fique bem claro, porque nenhum deles é/foi pior que qualquer outro que o tenha antecedido ou com quem concorra. E o que mais tenho visto e ouvido são exageros reacionários ou revolucionários.
O que me entristece é que não houve sequer UM candidato à presidência com projetos de investimento em educação (desde a básica). Ou seja, não adianta falar mal de um pra tentar eleger outro, porque no final das contas TODOS eles vão continuar com governos assistencialistas, já que político nenhum tem interesse em educar uma população que, alienada, acha que o governo é que é o único responsável pelas mazelas sociais. Culpar um governante ou governo pela miséria do povo é legitimar o poder e dar espaço para virem mil outros fingindo que fizeram alguma coisa, para continuarem, enormemente apoiados, chafurdando com os “governados” na lama. Estou de saco cheio de politicagem e precisava desabafar, me desculpem.
É tão fácil reunir uma galera apaixonada, entusiasmada, tesuda, se as causas são Deus, comunidade no orkut, família colorida, jogo no facebook, tag engraçadinha no twitter... por que é tão difícil quando o assunto é política? O que o Brasil precisa, penso eu, é parar de se vitimizar e acordar para a vida, parar de legitimar os líderes e começar a legitimar o povo em sua insatisfação. MAS, ATENÇÃO, VOTOS NULOS NÃO ANULAM ELEIÇÃO (vide http://www.leopacheco.com.br/blog/?p=326), ou seja, ninguém está interessado mesmo no fato de você achar que não há um bom candidato. O meu convite aqui é: vamos pensar juntos, conversar, fazer a nossa parte, a educação começa entre nós... alguém conhece um jeito? Alguém tem uma idéia? Uma informação relevante? Alguém aí disposto a pensar e agir coletivamente?
Mas se você continua se limitando a falar mal de um para eleger outro, indo lá na urna, na hora da eleição e elegendo o político menos ruim, seja porque acha que não tem mais jeito, seja porque, ingenuamente, acredita que um cara só ou um partido só vai consertar as coisas, eu sinto muito, mas nós temos, sim, os representantes que merecemos.
“Afirmo que o sonho capitalista burguês de felicidade deve ser combatido de forma constante e efetiva, seja no plano político ou no plano psicológico, porque a sua ideologia nasce de pessoas incapacitadas para qualquer tipo de opção livre e que já se submeteram, voluntária ou involuntariamente, a uma vida de incompetência e de impotência orgástica vital. Assim, a esperança de vir um dia a ser feliz transforma-se, para eles, numa espécie de droga que os torna dependentes. Essa dependência, pelo menos, os mantém aparentemente vivos, embora sem tesão algum e anorgásticos, quer dizer, mortos, mas ainda insepultos. Por essas razões admito que foi incompleta a frase famosa de Marx, quando disse ser a religião o ópio do povo, pois me parece que também o são o amor e o poder político, inclusive o marxista que promete o paraíso comunista aos soviéticos há quase um século.
Esses fatos podem nos levar à afirmação de que na sociedade burguesa os mortos comandam os vivos, num processo de desvivência progressiva, contra o qual, nós, os que optamos pela ideologia do tesão, temos de nos insurgir de forma radical e violenta. Eu, por exemplo, estou berrando que morro, mas não desvivo!”
Roberto Freire, em “SEM TESÃO NÃO HÁ SOLUÇÃO”.